Estudo. Investigadores britânicos ligaram o excesso de testosterona no líquido amniótico ao autismo. Com a descoberta, pensam ser possível encontrar um tratamento para a doença ou permitir a escolha de interromper, ou não, a gravidezEstudo permitirá investigar um tratamentoInvestigadores britânicos esperam ter aberto caminho à possibilidade de detectar o autismo através de rastreios pré-natais, ou seja, durante a gravidez. Um estudo desenvolvido pelo Centro de Investigação do Autismo da Universidade de Cambridge conclui que a presença de elevados níveis de testosterona no líquido amniótico das grávidas estará ligado a traços autistas. Os resultados, publicados no British Journal of Psychology e citados pelo The Guardian, abrem a possibilidade de tratar a doença durante a gravidez ou de a interromper, à semelhança do que já se passa com o síndroma de Down (trissomia 21).Durante cerca de oito anos, uma equipa do centro de investigação observou o desenvolvimento de 235 crianças. Todas elas têm mães que fizeram amniocenteses durante a gravidez, teste usado geralmente acima dos 35 anos e que visa despistar anomalias genéticas. De acordo com um dos investigadores, citado pelo mesmo jornal, foi encontrada uma ligação consistente entre os níveis de testosterona - hormona masculina - no útero e traços ligados ao autismo, como a dificuldade em socializar, falar correctamente ou expressar necessidades. As crianças tinham entre oito e dez anos e foram sujeitas a dois testes distintos, mas o estudo ainda vai continuar. Nos primeiros anos do estudo não foi possível medir os traços nas crianças, mas os cientistas já tinham encontrado alguns indicadores. Foi o exemplo de rapazes que não olhavam outras pessoas nos olhos. Já se sabia que a doença afecta sobretudo rapazes e que tem várias causas na sua origem. Mas os investigadores defendem também que a doença é "uma consequência da masculinização do cérebro", refere o The Guardian. Logo, relacionada com a testosterona.Esta investigação levanta duas hipóteses de aplicação. Uma delas é a possibilidade de a mulher saber antes do nascimento se o seu filho terá ou não grandes probabilidades de vir a ter a doença. Jorge Branco, presidente da Comissão Nacional de Saúde Materna e Neonatal, diz ao DN que, "se se confirmar esta ligação, a possibilidade de testar será interessante". Mas ressalta que "seria necessário ter a certeza dos valores de testosterona associados ao autismo. Mas aí era preciso saber quais os valores normais".Antes da realização de qualquer teste, é necessário garantir acerteza desta ligação. A avançar para a hipótese de interromper uma gravidez na sequência desta descoberta, "temos de ter dados mais válidos. E o caminho ainda é longo", refere ao DN.A interrupção da gravidez na sequência da detecção de autismo é uma temática muito polémica. Por um lado, porque há pais de crianças autistas que consideram que esta possibilidade iria gerar ainda mais discriminação e perda de meios de apoio, que demoraram a ser alcançados. A hipótese de conhecer o diagnóstico antes do parto seria importante também para que os pais se preparassem para mais rapidamente intervir e dar o melhor apoio à criança.Mas há ainda outras razões para debater. Jorge Branco lembra que a doença pode não implicar elevado grau de dificuldades mentais. "Uma criança autista pode ter uma vida perfeitamente normal". Também Isabel Cottinelli Telmo, da Federação Portuguesa de Autismo, salienta que este estudo pode trazer uma "grande avanço". Mas tem a certeza de que "muitos pais continuariam a preferir ter o seu filho", o que aliás ainda acontece com os casos de trissomia 21. Contudo, as consequências das duas doenças são totalmente diferentes.E tratar? A controvérsia é igual quando se analisam as consequências destas conclusões ao nível do tratamento. "Podíamos fazer algo em relação a isso. Alguns investigadores ou laboratórios podiam ver isto como uma oportunidade para desenvolver um tratamento pré-natal", diz ao The Guardian Simon Baron-Cohen, o director desta equipa de investigação. Um exemplo seria um bloqueante de testosterona.Para avançar com qualquer tratamento, era preciso "avançar com um ensaio clínico, o que, só por si, é complicado porque estamos a falar de mulheres grávidas, diz António Vaz Carneiro, do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.
http://dn.sapo.pt/2009/01/13/sociedade/autismo_detectado_antes_nascimento.html
Transtorno do espectro do autismo: · Transtorno de Asperger – Autismo de “Alto Funcionamento” (Síndrome de Asperger) · Transtorno Invasivo do Desenvolvimento Sem Outra Especificação (PDD-NOS)/ Autismo Atípico (outras condições com características semelhantes ao autismo)
"Temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito de ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza". (Boaventura de Souza Santos)
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
O que é o autismo? Uma abordagem para crianças
Existem meninos e meninas que não vêem o mundo como tu. E não estamos a falar de não ver como os cegos, mas sim de não interpretar as coisas como tu fazes, de não conseguir associar alguém a chorar à dor ou tristeza, ou um riso à alegria, de não conseguir comunicar porque não liga as palavras ao que elas querem dizer. Estes meninos são autistas. Se calhar conheces algum ou tens um colega na escola que é autista.
Estes meninos precisam de ajuda para fazer coisas que para ti são simples, não porque não se consigam mexer ou falar, mas porque o cérebro deles não é capaz de processar a informação necessária para fazer estas coisas. Mas existem diversos níveis de autismo, e os meninos com um autismo ligeiro, podem, com ajuda e apoio, aprender a fazer quase tudo e levar uma vida normal.
Queres saber mais sobre o autismo? Como podes ajudar e perceber melhor os meninos autistas? Então acompanha-nos nesta aventura pela internet e encontra as respostas às tuas questões.
Algumas questões…
O que é o autismo? Quais são as causas? É comum nas crianças? Quais são os sintomas? Posso apanhar autismo por brincar com um menino autista? Como podemos tratar o autismo?
Estas são apenas algumas questões para dar início à nossa aventura… queres mais umas sugestões?
Como é viver com o autismo?
Os autistas podem ir à escola e aprender o que eu aprendo?
Existem equipamentos especiais para autistas?
Ouvi dizer que existem tratamentos com cavalos. Os animais ajudam os autistas?
Tenho de ir para uma escola especial se for autista?
Aqui estão alguns breves dados que vão ajudar-te na tua aventura e a responder a algumas questões. Mas não te esqueças: são apenas alguns dados. Vais ter de procurar na net para encontrares todas as respostas na tua aventura.
Sabias que:
As crianças autistas, tal como todas as crianças, são diferentes no comportamento e habilidades. Todas as crianças com autismo têm sintomas diferentes, o que torna difícil diagnosticar o autismo. Um sintoma pode ser fácil de ver numa criança e não se ver noutra. Estes são alguns dos sintomas mais comuns nas crianças autistas:
Dificuldade em relacionar-se com as outras pessoas: a maior parte das crianças autistas não gostam de ser olhadas nos olhos, nem que lhes toquem e preferem ficar sozinhas.
Dificuldades em falar e comunicar: cerca de 4 em cada 10 crianças autistas não conseguem falar. Outras sofrem de outro problema, chamado de efeito eco, porque apenas repetem o que lhes foi dito.
Não gostam de mudanças: as crianças com autismo gostam de rotinas, o que significa fazerem sempre as mesmas coisas da mesma maneira. Podem reagir muito mal quando alguém lhe alteram as rotinas, porque deixam de saber como fazer as coisas.
Pronto para saber mais?
Imagina a seguinte história: o Luís foi à casa do seu amigo Diogo, onde conheceu o irmão de quatro anos do Diogo, chamado Gil. “Olá” disse o Luís ao Gil com um sorriso. O Gil olhou para o Luís e não disse nada. Depois voltou a brincar com um brinquedo velho sem dar atenção ao Luís. O Luís disse ao Diogo: “acho que o teu irmão não gosta de mim”. “Não é culpa tua” disse o Diogo, “ele é autista.”O Luís quis saber mais sobre o autismo para ajudar o irmão do Diogo. E tu, queres saber mais?
O que é o autismo?
O autismo altera a forma como vemos e experienciamos o mundo. Uma criança autista não interpreta as coisas ou os sentimentos como tu. É difícil para um miúdo autista relacionar-se com outros miúdos ou expressar-se através de palavras. Os miúdos autistas normalmente isolam-se num mundo deles e precisam de ajuda para comunicar.
O autismo provoca reacções diferentes ao que se passa à volta. Sons que para ti são normais podem incomodar um autista, ao ponto de os levar a tapar os ouvidos. Até a sensação de ser tocado, como por exemplo quando te encostas a um amigo, pode ser muito desconfortável para um miúdo autista.
Crianças com autismo têm mais dificuldade, ou não conseguem, associar coisas. Por exemplo, quando alguém sorri, tu sabes que essa pessoa está contente ou está ser amigável. Mas um miúdo com autismo terá dificuldade em associar o sorriso a um estado emocional da pessoa.O mesmo se passa com as palavras. Um miúdo autista tem dificuldade em ligar as palavras ao seu significado. Imagina o que será tentar perceber o que os teus amigos estão a dizer se não souberes o que as palavras significam. É muito frustrante para uma criança tentar dizer qualquer coisa e não encontrar as palavras certas. Por isso às vezes os autistas têm acessos de muito mau humor. Não é por mal... é apenas frustração.
Se conheces, ou já viste algum miúdo autista, deves ter reparado que parecem ter comportamentos estranhos. Podem estar sempre a bater palmas, a repetir as mesmas palavras sem parar, ter birras ruidosas ou brincar apenas com o mesmo brinquedo. A maioria dos autistas mão gostam de alterações na sua rotina. Se estão habituados a acordar a uma determinada hora, tomar o pequeno-almoço e depois brincar, não gostam de trocar a ordem das actividades. Por exemplo acordar, brincar e depois tomar o pequeno-almoço. Gostam de seguir rotinas, que são sempre iguais. É a maneira que eles encontraram de organizar um mundo que é diferente do nosso. E quem diz a rotina, diz também a forma como os objectos ou brinquedos devem ser arrumados da maneira deles. E ficam muito chateados se alguém mudar essa ordem.
Quando um miúdo tem autismo, o cérebro dele tem dificuldade em realizar um trabalho muito importante: que o mundo faça sentido. O teu cérebro está sempre a interpretar os cheiros, os sons, as imagens e todas as sensações que chegam através dos cinco sentidos. Se o teu cérebro não conseguir interpretar estas sensações, vais ter dificuldades em andar, falar, ir à escola, relacionares-te com outras pessoas e fazeres as coisas normais do quotidiano.
O autismo pode ser ligeiro, afectando apenas parte da vida quotidiana, ou ser mais profundo, tornando a pessoa muito mais dependente dos outros.
O que causa o autismo?
O autismo afecta cerca de 1 em cada 150 miúdos, mas ninguém sabe ainda qual a causa. Alguns cientistas pensam que existem crianças com maior probabilidade de ter autismo porque já existe ou existiu alguém autista na família. Esta é uma explicação genética. Mas existem crianças que são autistas sem nunca ter havido ninguém autista na família. O cérebro humano é muito complicado, por isso determinar a causa exacta do autismo é muito difícil.
O cérebro tem mais de 100 biliões (leste bem... biliões) de células nervosas, chamadas neurónios. Cada neurónio pode ter centenas ou milhares de ligações que levam mensagens a outros neurónios ou células nervosas. As ligações e os mensageiros químicos, chamados neurotransmissores, permitem aos neurónios em várias partes do cérebro – as partes que ajudam a ver, sentir, mexer, recordar e muito mais - a trabalharem em conjunto.
Por alguma razão, algumas destes neurónios e ligações numa criança com autismo não se desenvolveram correctamente ou ficaram danificadas. Normalmente estes problemas acontecem nas partes do cérebro ligadas á comunicação, emoções e sentidos.
Como é diagnosticado o autismo
Perceber se uma criança é autista pode ser difícil. Normalmente, são os pais os primeiros a suspeitar que algo se passa. Talvez a criança já tenha idade para começar a falar e não o faz, talvez não demonstre interesse pelas outras pessoas ou tem comportamentos estranhos. O problema é que o autismo não é a única explicação para estes problemas. Uma criança com problemas de audição também vai ter dificuldade em aprender a falar.
A juntar a isto, os teste de laboratório normalmente também são normais em crianças autistas. No entanto, os médicos fazem estes testes para excluir outras doenças ou problemas. Estes teste incluem análises ao sangue, urina, audição, ondas cerebrais, teste de QI (quociente de inteligência, embora o resultado destes teste não seja conclusivo).
Muitas vezes, reúne-se uma equipa de especialistas de várias áreas para determinar se a criança é autista. Esta equipa pode ser formada por pediatras, neurologistas pediátricos, especialistas em desenvolvimento infantil e terapia da fala, psicólogos e psiquiatras infantis, etc. Esta equipa vai estudar como a criança brinca, aprende, comunica e se comporta. As informações dadas pelos pais também são estudadas. Depois de terem toda esta informação, os especialistas podem decidir se a criança tem autismo ou outro problema.
Como podemos tratar o autismo?
Infelizmente não existe cura para o autismo, mas os médicos, terapeutas, pais e professores podem ajudar as crianças com autismo a ultrapassar ou a ajustarem-se às dificuldades. Quanto mais cedo a criança começar a terapia para o autismo melhor.
As crianças são diferentes e têm necessidades diferentes, mas aprender a comunicar é um primeiro passo fundamental. Aprender a falar pode ser complicado para as crianças autistas, mas não é impossível. Muitos miúdos autistas percebem melhor as palavras quando as vêem, por isso os terapeutas ensinam os miúdos a comunicar com a ajuda de imagens ou mesmo com linguagem gestual (não confundas com a língua gestual dos surdos, aqui falamos mesmo de gestos, alguns mais simples, como o apontar, outros mais complexos). Este método ajuda os miúdos autistas a aprender outras coisas e muitos acabam mesmo por aprender a falar.
Os terapeutas também ensinam coisas que tu podes achar simples e banais, mas que fazem toda a diferença na qualidade de vida de um autista. Por exemplo, cumprimentar uma pessoa, seguir direcções, escovar os dentes, comer sozinho, etc. Existem também terapias próprias para crianças autistas que são mais activas e têm dificuldade estar sossegadas ou controlar o mau-humor. E por vezes, têm mesmo de tomar medicamentos para controlar o temperamento e comportamento.
Crianças com autismo ligeiro podem mesmo ir à escola normalmente, mas a maioria precisa de uma escola especial, mais calma, com professores especiais.
Viver com o autismo
Muitas crianças com autismo ligeiro vão crescer e ser capazes de viverem a sua vida de forma quase autónoma. Mas aqueles com autismos mais profundos vão sempre precisar de ajuda. Mas não te esqueças, todas as crianças autistas podem ter uma vida feliz se tiverem o apoio e amor dos pais, irmãos, família, médicos, professores e colegas.
Sítios para pesquisar
Agora que já sabes mais um pouco sobre o autismo, continua a tua aventura nestes sítios. Ainda existem muitas questões por responder e descobrir. Alguns sítios estão em inglês, por isso pede ajuda aos teus pais ou professores. Cada um dos sitios apresenta uma parte da informação que precisas… e como tudo na internet, vais encontrar outras ligações, outros destinos.
CadinLê um texto bastante completo sobre o autismo. Se precisares de ajuda para perceber tudo pede aos teus pais ou professores. Aproveita para navegar um pouco no sítio e descobrir mais sobre o autismo, outras deficiências mentais e as actividades do Cadin.
Federação Portuguesa de Autismo Navega no sítio da Federação Portuguesa de Autismo e descobre as várias iniciativas sobre o autismo, aprende mais sobre o tema, vê o que está a ser feito por todo o país.
Autismo na Wikipedia Para um saber enciclopédico, nada melhor do que consultares o artigo sobre o autismo na Wikipedia. Aqui podes encontrar ligações para outros artigos e perceber como tudo se conjuga.
CDC's Autism Information Center Apesar de estar apenas em inglês, neste site podes encontrar muitas das respostas às tuas questões. Um sítio bastante completo, com muitas ligações para explorares.
HipoterapiaSabias que os animais podem ser excelentes terapeutas? Visita este sítio e descobre como a terapia com cavalos pode ajudar as crianças autistas.
Mais sítios divertidos
Quem disse que aprender não era divertido? Nestes sítios podes aprender enquanto participas nas actividades e jogos ao teu dispor. Mas atenção, todos estes sítios estão em inglês, por isso já sabes: pede aos teus pais ou professores ajuda. Quem sabe se eles também não aprendem algo novo.
Autismo para crianças Um sítio divertido com muitas coisas para descobrir e jogar.
Center for Disability Information & Referral: Disability Awareness for Youth Vê diversos textos sobre o autismo e outras deficiências mentais.
http://educalia.educared.net/edu/secundaria/aacc/e/jugar/shjugar2.htmlNeste divertido sítio, cheio de cores e dinamismo, joga os diversos jogos e aprende mais sobre esta temática.
http://www.inr.pt/content/1/222/que-autismo/1
Instituto Nacional para a Reabilitação
Estes meninos precisam de ajuda para fazer coisas que para ti são simples, não porque não se consigam mexer ou falar, mas porque o cérebro deles não é capaz de processar a informação necessária para fazer estas coisas. Mas existem diversos níveis de autismo, e os meninos com um autismo ligeiro, podem, com ajuda e apoio, aprender a fazer quase tudo e levar uma vida normal.
Queres saber mais sobre o autismo? Como podes ajudar e perceber melhor os meninos autistas? Então acompanha-nos nesta aventura pela internet e encontra as respostas às tuas questões.
Algumas questões…
O que é o autismo? Quais são as causas? É comum nas crianças? Quais são os sintomas? Posso apanhar autismo por brincar com um menino autista? Como podemos tratar o autismo?
Estas são apenas algumas questões para dar início à nossa aventura… queres mais umas sugestões?
Como é viver com o autismo?
Os autistas podem ir à escola e aprender o que eu aprendo?
Existem equipamentos especiais para autistas?
Ouvi dizer que existem tratamentos com cavalos. Os animais ajudam os autistas?
Tenho de ir para uma escola especial se for autista?
Aqui estão alguns breves dados que vão ajudar-te na tua aventura e a responder a algumas questões. Mas não te esqueças: são apenas alguns dados. Vais ter de procurar na net para encontrares todas as respostas na tua aventura.
Sabias que:
As crianças autistas, tal como todas as crianças, são diferentes no comportamento e habilidades. Todas as crianças com autismo têm sintomas diferentes, o que torna difícil diagnosticar o autismo. Um sintoma pode ser fácil de ver numa criança e não se ver noutra. Estes são alguns dos sintomas mais comuns nas crianças autistas:
Dificuldade em relacionar-se com as outras pessoas: a maior parte das crianças autistas não gostam de ser olhadas nos olhos, nem que lhes toquem e preferem ficar sozinhas.
Dificuldades em falar e comunicar: cerca de 4 em cada 10 crianças autistas não conseguem falar. Outras sofrem de outro problema, chamado de efeito eco, porque apenas repetem o que lhes foi dito.
Não gostam de mudanças: as crianças com autismo gostam de rotinas, o que significa fazerem sempre as mesmas coisas da mesma maneira. Podem reagir muito mal quando alguém lhe alteram as rotinas, porque deixam de saber como fazer as coisas.
Pronto para saber mais?
Imagina a seguinte história: o Luís foi à casa do seu amigo Diogo, onde conheceu o irmão de quatro anos do Diogo, chamado Gil. “Olá” disse o Luís ao Gil com um sorriso. O Gil olhou para o Luís e não disse nada. Depois voltou a brincar com um brinquedo velho sem dar atenção ao Luís. O Luís disse ao Diogo: “acho que o teu irmão não gosta de mim”. “Não é culpa tua” disse o Diogo, “ele é autista.”O Luís quis saber mais sobre o autismo para ajudar o irmão do Diogo. E tu, queres saber mais?
O que é o autismo?
O autismo altera a forma como vemos e experienciamos o mundo. Uma criança autista não interpreta as coisas ou os sentimentos como tu. É difícil para um miúdo autista relacionar-se com outros miúdos ou expressar-se através de palavras. Os miúdos autistas normalmente isolam-se num mundo deles e precisam de ajuda para comunicar.
O autismo provoca reacções diferentes ao que se passa à volta. Sons que para ti são normais podem incomodar um autista, ao ponto de os levar a tapar os ouvidos. Até a sensação de ser tocado, como por exemplo quando te encostas a um amigo, pode ser muito desconfortável para um miúdo autista.
Crianças com autismo têm mais dificuldade, ou não conseguem, associar coisas. Por exemplo, quando alguém sorri, tu sabes que essa pessoa está contente ou está ser amigável. Mas um miúdo com autismo terá dificuldade em associar o sorriso a um estado emocional da pessoa.O mesmo se passa com as palavras. Um miúdo autista tem dificuldade em ligar as palavras ao seu significado. Imagina o que será tentar perceber o que os teus amigos estão a dizer se não souberes o que as palavras significam. É muito frustrante para uma criança tentar dizer qualquer coisa e não encontrar as palavras certas. Por isso às vezes os autistas têm acessos de muito mau humor. Não é por mal... é apenas frustração.
Se conheces, ou já viste algum miúdo autista, deves ter reparado que parecem ter comportamentos estranhos. Podem estar sempre a bater palmas, a repetir as mesmas palavras sem parar, ter birras ruidosas ou brincar apenas com o mesmo brinquedo. A maioria dos autistas mão gostam de alterações na sua rotina. Se estão habituados a acordar a uma determinada hora, tomar o pequeno-almoço e depois brincar, não gostam de trocar a ordem das actividades. Por exemplo acordar, brincar e depois tomar o pequeno-almoço. Gostam de seguir rotinas, que são sempre iguais. É a maneira que eles encontraram de organizar um mundo que é diferente do nosso. E quem diz a rotina, diz também a forma como os objectos ou brinquedos devem ser arrumados da maneira deles. E ficam muito chateados se alguém mudar essa ordem.
Quando um miúdo tem autismo, o cérebro dele tem dificuldade em realizar um trabalho muito importante: que o mundo faça sentido. O teu cérebro está sempre a interpretar os cheiros, os sons, as imagens e todas as sensações que chegam através dos cinco sentidos. Se o teu cérebro não conseguir interpretar estas sensações, vais ter dificuldades em andar, falar, ir à escola, relacionares-te com outras pessoas e fazeres as coisas normais do quotidiano.
O autismo pode ser ligeiro, afectando apenas parte da vida quotidiana, ou ser mais profundo, tornando a pessoa muito mais dependente dos outros.
O que causa o autismo?
O autismo afecta cerca de 1 em cada 150 miúdos, mas ninguém sabe ainda qual a causa. Alguns cientistas pensam que existem crianças com maior probabilidade de ter autismo porque já existe ou existiu alguém autista na família. Esta é uma explicação genética. Mas existem crianças que são autistas sem nunca ter havido ninguém autista na família. O cérebro humano é muito complicado, por isso determinar a causa exacta do autismo é muito difícil.
O cérebro tem mais de 100 biliões (leste bem... biliões) de células nervosas, chamadas neurónios. Cada neurónio pode ter centenas ou milhares de ligações que levam mensagens a outros neurónios ou células nervosas. As ligações e os mensageiros químicos, chamados neurotransmissores, permitem aos neurónios em várias partes do cérebro – as partes que ajudam a ver, sentir, mexer, recordar e muito mais - a trabalharem em conjunto.
Por alguma razão, algumas destes neurónios e ligações numa criança com autismo não se desenvolveram correctamente ou ficaram danificadas. Normalmente estes problemas acontecem nas partes do cérebro ligadas á comunicação, emoções e sentidos.
Como é diagnosticado o autismo
Perceber se uma criança é autista pode ser difícil. Normalmente, são os pais os primeiros a suspeitar que algo se passa. Talvez a criança já tenha idade para começar a falar e não o faz, talvez não demonstre interesse pelas outras pessoas ou tem comportamentos estranhos. O problema é que o autismo não é a única explicação para estes problemas. Uma criança com problemas de audição também vai ter dificuldade em aprender a falar.
A juntar a isto, os teste de laboratório normalmente também são normais em crianças autistas. No entanto, os médicos fazem estes testes para excluir outras doenças ou problemas. Estes teste incluem análises ao sangue, urina, audição, ondas cerebrais, teste de QI (quociente de inteligência, embora o resultado destes teste não seja conclusivo).
Muitas vezes, reúne-se uma equipa de especialistas de várias áreas para determinar se a criança é autista. Esta equipa pode ser formada por pediatras, neurologistas pediátricos, especialistas em desenvolvimento infantil e terapia da fala, psicólogos e psiquiatras infantis, etc. Esta equipa vai estudar como a criança brinca, aprende, comunica e se comporta. As informações dadas pelos pais também são estudadas. Depois de terem toda esta informação, os especialistas podem decidir se a criança tem autismo ou outro problema.
Como podemos tratar o autismo?
Infelizmente não existe cura para o autismo, mas os médicos, terapeutas, pais e professores podem ajudar as crianças com autismo a ultrapassar ou a ajustarem-se às dificuldades. Quanto mais cedo a criança começar a terapia para o autismo melhor.
As crianças são diferentes e têm necessidades diferentes, mas aprender a comunicar é um primeiro passo fundamental. Aprender a falar pode ser complicado para as crianças autistas, mas não é impossível. Muitos miúdos autistas percebem melhor as palavras quando as vêem, por isso os terapeutas ensinam os miúdos a comunicar com a ajuda de imagens ou mesmo com linguagem gestual (não confundas com a língua gestual dos surdos, aqui falamos mesmo de gestos, alguns mais simples, como o apontar, outros mais complexos). Este método ajuda os miúdos autistas a aprender outras coisas e muitos acabam mesmo por aprender a falar.
Os terapeutas também ensinam coisas que tu podes achar simples e banais, mas que fazem toda a diferença na qualidade de vida de um autista. Por exemplo, cumprimentar uma pessoa, seguir direcções, escovar os dentes, comer sozinho, etc. Existem também terapias próprias para crianças autistas que são mais activas e têm dificuldade estar sossegadas ou controlar o mau-humor. E por vezes, têm mesmo de tomar medicamentos para controlar o temperamento e comportamento.
Crianças com autismo ligeiro podem mesmo ir à escola normalmente, mas a maioria precisa de uma escola especial, mais calma, com professores especiais.
Viver com o autismo
Muitas crianças com autismo ligeiro vão crescer e ser capazes de viverem a sua vida de forma quase autónoma. Mas aqueles com autismos mais profundos vão sempre precisar de ajuda. Mas não te esqueças, todas as crianças autistas podem ter uma vida feliz se tiverem o apoio e amor dos pais, irmãos, família, médicos, professores e colegas.
Sítios para pesquisar
Agora que já sabes mais um pouco sobre o autismo, continua a tua aventura nestes sítios. Ainda existem muitas questões por responder e descobrir. Alguns sítios estão em inglês, por isso pede ajuda aos teus pais ou professores. Cada um dos sitios apresenta uma parte da informação que precisas… e como tudo na internet, vais encontrar outras ligações, outros destinos.
CadinLê um texto bastante completo sobre o autismo. Se precisares de ajuda para perceber tudo pede aos teus pais ou professores. Aproveita para navegar um pouco no sítio e descobrir mais sobre o autismo, outras deficiências mentais e as actividades do Cadin.
Federação Portuguesa de Autismo Navega no sítio da Federação Portuguesa de Autismo e descobre as várias iniciativas sobre o autismo, aprende mais sobre o tema, vê o que está a ser feito por todo o país.
Autismo na Wikipedia Para um saber enciclopédico, nada melhor do que consultares o artigo sobre o autismo na Wikipedia. Aqui podes encontrar ligações para outros artigos e perceber como tudo se conjuga.
CDC's Autism Information Center Apesar de estar apenas em inglês, neste site podes encontrar muitas das respostas às tuas questões. Um sítio bastante completo, com muitas ligações para explorares.
HipoterapiaSabias que os animais podem ser excelentes terapeutas? Visita este sítio e descobre como a terapia com cavalos pode ajudar as crianças autistas.
Mais sítios divertidos
Quem disse que aprender não era divertido? Nestes sítios podes aprender enquanto participas nas actividades e jogos ao teu dispor. Mas atenção, todos estes sítios estão em inglês, por isso já sabes: pede aos teus pais ou professores ajuda. Quem sabe se eles também não aprendem algo novo.
Autismo para crianças Um sítio divertido com muitas coisas para descobrir e jogar.
Center for Disability Information & Referral: Disability Awareness for Youth Vê diversos textos sobre o autismo e outras deficiências mentais.
http://educalia.educared.net/edu/secundaria/aacc/e/jugar/shjugar2.htmlNeste divertido sítio, cheio de cores e dinamismo, joga os diversos jogos e aprende mais sobre esta temática.
http://www.inr.pt/content/1/222/que-autismo/1
Instituto Nacional para a Reabilitação
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
O Pai Natal Existe
A noite mais longa do ano é também a mais mágica. O momento em que as crianças acreditam que todos os seus desejos se irão realizar. Uma história que perpetua a esperança, o amor e o perdão. E assim deve continuar.
Por Pilar Diogo A criatividade, o imaginário são as ferramentas de base necessárias ao saudável crescimento das crianças. São os sonhos infantis, o nosso extraordinário mundo povoado de fadas, duendes, monstros, bruxas que nos fazem crescer, resolver conflitos interiores e que, mais tarde, nos permitem ter a capacidade de resolver problemas maiores. Daí que – a par do sentimento crítico e da capacidade de analisar o mundo, que devem ser estimulados nas crianças – alimentar esse universo de faz-de-conta, de magia, onde se inclui o Pai Natal, através de histórias contadas nas horas da confidencialidade, antes de dormir, entre aconchegos e beijos, não só é algo benéfico como indispensável. A imaginação permite-nos alargar os nossos horizontes e reduzir a angústia perante as situações de stress. As crianças vivem muito na realidade, um quotidiano por vezes até bastante agressivo, e muito pouco no sonho.
Existe uma função psicológica nesta figura na qual as crianças têm necessidade de acreditar, deleitando- -se com a visão de um velhinho de barbas, uma espécie de avô bondoso que não esquece ninguém, que tudo desculpa, rasgando os céus num trenó puxado por renas. Existe nesta figura o sentimento de esperança, de perdão, do renascer para um Eu melhor. Para Manuel Coutinho, psicólogo clínico, “actualmente o Pai Natal é um misto de uma sociedade que apela ao consumo e que tenta transmitir alguns valores de generosidade, mas fá-lo de maneira algo ilusória, porque em torno desta figura simpática que muito contribui para o imaginário das crianças, e de todos nós, pouco tem sido feito para a munir de valores reais, de autenticidade, de nobreza de sentimentos, de verdade em detrimento de uma atitude meramente comercial”. E às dúvidas daqueles pais que ainda se questionam se é benéfico os filhos acreditarem nesta figura, Manuel Coutinho responde que “é importante que as crianças possam fantasiar com esta figura. Povoar o imaginário dos mais pequenos é necessário, porque todas as histórias acabam por ter uma moral, uma lição. E a moral da história do Pai Natal é a de que nós estamos sempre a tempo de nos tornarmos melhores pessoas, que somos mais felizes se nos dermos aos outros, como fez São Nicolau. A criança tem de compreender que, se cumprir as normas, vai ser melhor para ela e ela vai ganhar – não bens materiais – com isso, transformar-se-á numa pessoa melhor, mais humana. O verdadeiro valor do Pai Natal tem de ser humanista. E este não é o momento do ajuste de contas, se os filhos tiveram más notas ou se portaram mal. “Não há um Pai Natal tirano, muito menos um Deus tirano. A dar, os pais devem dar sempre presentes. Nem sequer se devem confundir as coisas. Uma coisa são as notas, as avaliações, os desempenhos escolares; outra, são os afectos. Se os pais acham que as crianças não os merecem, então devem ajudá-las a merecê-los, e não o contrário”, afirma Manuel Coutinho. Mas frisando sempre que “as melhores ofertas não são as materiais, mas as dos valores, da amizade, do afecto, da solidariedade, da tolerância, da compreensão, do respeito e da generosidade... e essas não se transmitem só numa noite, mas todos os dias, durante uma vida, de geração em geração. Até porque não se ‘compram’ as crianças com bens materiais, cativam-se. É a interacção com os outros que é importante”. O Pai Natal restabelece o elo com o passado, com outros Natais, com a tradição e os rituais tão importantes nas famílias. Ele é um avô que, como refere o sociólogo Jacques Godbout em L’Esprit du Don (em colaboração com Alain Caillé, Éditions La Découverte), “restabelece a filiação, o elo com os antepassados que a sociedade moderna rompe constantemente. O Dom é uma cadeia temporal. Ele traz os presentes do universo e autoriza os pais, pela sua presença, a serem também filhos, pelo espaço de um momento”. A riqueza das recordações de infância não deixa ninguém indiferente, como diz Patrick Estrade, psicólogo e psicoterapeuta, formado pelo Instituto de Psicologia de Berlim, no seu livro Estas Recordações que nos Comandam (Bizâncio), “porque são o diário (...) do que vivemos. Um caderno um pouco particular, todavia, no sentido em que não retrata fielmente tudo o que vivemos mas retrata fielmente – demasiado fielmente por vezes – o que nos parece importante ter vivido”. E, quando não são a marca de acontecimentos terríveis e traumatizantes, “as recordações de infância são nichos afectivos extraordinários, fascinantes, surpreendentes de loucura, de inteligência, de ternura, de malícia. A vida aparece aqui em toda a sua simplicidade”. Por isso, vamos celebrar o maravilhoso, cuidar das nossas recordações, incutir os verdadeiros valores nas crianças, para que um dia possamos ouvir: “Mãe, lembras-te daquele Natal?”
Da ficção à realidade • O Pai Natal é a bondade personificada, a generosidade, o amor, tolerante. Tudo qualidades para dar como exemplo às crianças • Nas longas cartas redigidas ao Pai Natal, as crianças expressam os seus desejos mais profundos. Neste cenário particular, elas investem no sonho, na magia. E é isso que torna aquele pedido único • Quando a criança descobre a verdade, faz uma experiência de realidade, é uma ocasião emocionalmente forte para a criança, que aprende a destrinçar imaginário e real • A aquisição de autonomia afectiva permite-lhes afastar-se da magia, entrar na idade da razão • Quando a criança começa a questionar os pais sobre as atribuições do Pai Natal, os pais devem sempre, segundo Manuel Coutinho, responder cautelosamente com uma pergunta, não correndo o risco de dar informação nem a mais nem a menos: “Porque é que me estás a fazer essa pergunta?” E, aos poucos, devem ir adaptando o discurso às perguntas • Quando revelar a verdade, insista no facto de que se trata de uma história maravilhosa, em que você mesma acreditou, e os seus pais antes de você. E que assim deve ser perpetuado. E, sobretudo, que a magia do Natal está ligada ao prazer de estarmos juntos, de estarmos presentes na vida dos outros, e não só às prendas • Os pais não devem sentir-se deprimidos se as crianças ficarem decepcionadas porque não receberam tudo o que queriam. A frustração faz tanto parte da vida como o prazer e há que aprender a gerir isso. Quando se obtém tudo o que se deseja, como continuar a sonhar?
http://www.maxima.xl.pt/1208/fam/100.shtml
Por Pilar Diogo A criatividade, o imaginário são as ferramentas de base necessárias ao saudável crescimento das crianças. São os sonhos infantis, o nosso extraordinário mundo povoado de fadas, duendes, monstros, bruxas que nos fazem crescer, resolver conflitos interiores e que, mais tarde, nos permitem ter a capacidade de resolver problemas maiores. Daí que – a par do sentimento crítico e da capacidade de analisar o mundo, que devem ser estimulados nas crianças – alimentar esse universo de faz-de-conta, de magia, onde se inclui o Pai Natal, através de histórias contadas nas horas da confidencialidade, antes de dormir, entre aconchegos e beijos, não só é algo benéfico como indispensável. A imaginação permite-nos alargar os nossos horizontes e reduzir a angústia perante as situações de stress. As crianças vivem muito na realidade, um quotidiano por vezes até bastante agressivo, e muito pouco no sonho.
Existe uma função psicológica nesta figura na qual as crianças têm necessidade de acreditar, deleitando- -se com a visão de um velhinho de barbas, uma espécie de avô bondoso que não esquece ninguém, que tudo desculpa, rasgando os céus num trenó puxado por renas. Existe nesta figura o sentimento de esperança, de perdão, do renascer para um Eu melhor. Para Manuel Coutinho, psicólogo clínico, “actualmente o Pai Natal é um misto de uma sociedade que apela ao consumo e que tenta transmitir alguns valores de generosidade, mas fá-lo de maneira algo ilusória, porque em torno desta figura simpática que muito contribui para o imaginário das crianças, e de todos nós, pouco tem sido feito para a munir de valores reais, de autenticidade, de nobreza de sentimentos, de verdade em detrimento de uma atitude meramente comercial”. E às dúvidas daqueles pais que ainda se questionam se é benéfico os filhos acreditarem nesta figura, Manuel Coutinho responde que “é importante que as crianças possam fantasiar com esta figura. Povoar o imaginário dos mais pequenos é necessário, porque todas as histórias acabam por ter uma moral, uma lição. E a moral da história do Pai Natal é a de que nós estamos sempre a tempo de nos tornarmos melhores pessoas, que somos mais felizes se nos dermos aos outros, como fez São Nicolau. A criança tem de compreender que, se cumprir as normas, vai ser melhor para ela e ela vai ganhar – não bens materiais – com isso, transformar-se-á numa pessoa melhor, mais humana. O verdadeiro valor do Pai Natal tem de ser humanista. E este não é o momento do ajuste de contas, se os filhos tiveram más notas ou se portaram mal. “Não há um Pai Natal tirano, muito menos um Deus tirano. A dar, os pais devem dar sempre presentes. Nem sequer se devem confundir as coisas. Uma coisa são as notas, as avaliações, os desempenhos escolares; outra, são os afectos. Se os pais acham que as crianças não os merecem, então devem ajudá-las a merecê-los, e não o contrário”, afirma Manuel Coutinho. Mas frisando sempre que “as melhores ofertas não são as materiais, mas as dos valores, da amizade, do afecto, da solidariedade, da tolerância, da compreensão, do respeito e da generosidade... e essas não se transmitem só numa noite, mas todos os dias, durante uma vida, de geração em geração. Até porque não se ‘compram’ as crianças com bens materiais, cativam-se. É a interacção com os outros que é importante”. O Pai Natal restabelece o elo com o passado, com outros Natais, com a tradição e os rituais tão importantes nas famílias. Ele é um avô que, como refere o sociólogo Jacques Godbout em L’Esprit du Don (em colaboração com Alain Caillé, Éditions La Découverte), “restabelece a filiação, o elo com os antepassados que a sociedade moderna rompe constantemente. O Dom é uma cadeia temporal. Ele traz os presentes do universo e autoriza os pais, pela sua presença, a serem também filhos, pelo espaço de um momento”. A riqueza das recordações de infância não deixa ninguém indiferente, como diz Patrick Estrade, psicólogo e psicoterapeuta, formado pelo Instituto de Psicologia de Berlim, no seu livro Estas Recordações que nos Comandam (Bizâncio), “porque são o diário (...) do que vivemos. Um caderno um pouco particular, todavia, no sentido em que não retrata fielmente tudo o que vivemos mas retrata fielmente – demasiado fielmente por vezes – o que nos parece importante ter vivido”. E, quando não são a marca de acontecimentos terríveis e traumatizantes, “as recordações de infância são nichos afectivos extraordinários, fascinantes, surpreendentes de loucura, de inteligência, de ternura, de malícia. A vida aparece aqui em toda a sua simplicidade”. Por isso, vamos celebrar o maravilhoso, cuidar das nossas recordações, incutir os verdadeiros valores nas crianças, para que um dia possamos ouvir: “Mãe, lembras-te daquele Natal?”
Da ficção à realidade • O Pai Natal é a bondade personificada, a generosidade, o amor, tolerante. Tudo qualidades para dar como exemplo às crianças • Nas longas cartas redigidas ao Pai Natal, as crianças expressam os seus desejos mais profundos. Neste cenário particular, elas investem no sonho, na magia. E é isso que torna aquele pedido único • Quando a criança descobre a verdade, faz uma experiência de realidade, é uma ocasião emocionalmente forte para a criança, que aprende a destrinçar imaginário e real • A aquisição de autonomia afectiva permite-lhes afastar-se da magia, entrar na idade da razão • Quando a criança começa a questionar os pais sobre as atribuições do Pai Natal, os pais devem sempre, segundo Manuel Coutinho, responder cautelosamente com uma pergunta, não correndo o risco de dar informação nem a mais nem a menos: “Porque é que me estás a fazer essa pergunta?” E, aos poucos, devem ir adaptando o discurso às perguntas • Quando revelar a verdade, insista no facto de que se trata de uma história maravilhosa, em que você mesma acreditou, e os seus pais antes de você. E que assim deve ser perpetuado. E, sobretudo, que a magia do Natal está ligada ao prazer de estarmos juntos, de estarmos presentes na vida dos outros, e não só às prendas • Os pais não devem sentir-se deprimidos se as crianças ficarem decepcionadas porque não receberam tudo o que queriam. A frustração faz tanto parte da vida como o prazer e há que aprender a gerir isso. Quando se obtém tudo o que se deseja, como continuar a sonhar?
http://www.maxima.xl.pt/1208/fam/100.shtml
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
O ENIGMA DO AUTISMO - NOTICIA ANTIGA JN
O enigma do autismo
Os autistas em Portugal podem ser mais de 65 mil. Muitos não foram diagnosticados nem tiveram o tratamento adequado.
2008-07-13
helena norte
Por razões ainda mal explicadas, a incidência desta perturbação do desenvolvimento - que pode variar de formas muito severas e incapacitantes até ligeiras ou de alto funcionamento - está a aumentar substancialmente, a ponto de, nos Estados Unidos, já se falar em epidemia de autismo.
É um mal misterioso. A ciência ainda não conhece cabalmente as causas nem é capaz de o curar. Em Portugal, não se sabe sequer quantos são, mas extrapolando as estatísticas internacionais, o número poderá rondar os 65 mil. O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA actualizou a prevalência e estima que uma em cada 150 crianças nasça com uma perturbação do espectro de autismo, o que representa um aumento de cerca de 600% em três décadas. O aperfeiçoamento no diagnóstico pode ajudar a compreender este brutal aumento, mas os especialistas são incapazes de explicar totalmente o fenómeno.
Embora a palavra já tenha entrado no léxico comum, persistem muitos mitos e confusões a respeito do autismo. Até porque não há um autismo: há muitas e diversas formas de autismo que podem variar desde uma perturbação profunda (autismo clássico ou síndrome de Kanner) até ao autismo de elevado funcionamento (também designado de síndrome de Asperger).
Em comum, dificuldades na comunicação e na interacção social e padrões de comportamento repetitivos ou ritualísticos. Mas o grau de afectação nas várias áreas é muito diverso. Há autistas com grave défice cognitivo, que não têm qualquer grau de autonomia, e há outros que, à excepção de um ou outro traço considerado mais excêntrico, são perfeitamente funcionais.
"Há muitos que trabalham, em todo o tipo de profissões, alguns são professores universitários", explica Miguel Palha, pediatra do Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças e especialista nesta problemática. Os portadores de Asperger, que são detectados e estimulados precocemente, melhoram consideravelmente à medida que entram na juventude e idade adulta. Persistem, porém, alguns comportamentos disfuncionais, como a fixação nalguns assuntos, a rigidez e repetição das regras e dos hábitos ou a tendência para o isolamento social.
Um autista, por definição, vive no seu mundo e não procura o outro. Uma incapacidade que pode decorrer de alterações bioquímicas verificadas durante o período fetal, explica Edgar Pereira, psicólogo e professor da Universidade Lusófona. Não se sabe bem se por causas genéticas, virais ou químicas, a verdade é que o cérebro de um autista não funciona nos mesmos moldes do que os das outras pessoas.
Quem nasce autista, morre autista. O que não significa que não haja nada a fazer. O tratamento adequado pode fazer a diferença entre uma vida de dependência ou de relativa funcionalidade. E pode, acima de tudo, fazer uma grande diferença para as famílias que têm de cuidar destes doentes.
Os apoios são insuficientes e caros - só em terapias particulares, há famílias a gastar 700 a mil euros por mês, sem contar com as restantes despesas. O pior é quando tudo é "um falhanço absoluto", como conta Francisco Calheiros, pai de Henrique, um menino autista de 13 anos, que já passou por escolas públicas e terapias particulares. Mais do que os fracos progressos, este pai revolta-se contra as nódoas negras que o filho regularmente apresentava quando chegava da escola e da redução do número de professores de ensino especial.
No último ano lectivo, foram apoiados 500 alunos com perturbações do espectro do autismo, em 93 unidades de ensino estruturado com 187 docentes de ensino especial, de acordo com o Ministério da Educação. Embora a tendência seja para integrar mais crianças nessas unidade, a verdade é que muitos continuam sem apoio. Entre os 60 utentes da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) do Norte, nenhum frequenta essas estruturas.
Os autistas em Portugal podem ser mais de 65 mil. Muitos não foram diagnosticados nem tiveram o tratamento adequado.
2008-07-13
helena norte
Por razões ainda mal explicadas, a incidência desta perturbação do desenvolvimento - que pode variar de formas muito severas e incapacitantes até ligeiras ou de alto funcionamento - está a aumentar substancialmente, a ponto de, nos Estados Unidos, já se falar em epidemia de autismo.
É um mal misterioso. A ciência ainda não conhece cabalmente as causas nem é capaz de o curar. Em Portugal, não se sabe sequer quantos são, mas extrapolando as estatísticas internacionais, o número poderá rondar os 65 mil. O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA actualizou a prevalência e estima que uma em cada 150 crianças nasça com uma perturbação do espectro de autismo, o que representa um aumento de cerca de 600% em três décadas. O aperfeiçoamento no diagnóstico pode ajudar a compreender este brutal aumento, mas os especialistas são incapazes de explicar totalmente o fenómeno.
Embora a palavra já tenha entrado no léxico comum, persistem muitos mitos e confusões a respeito do autismo. Até porque não há um autismo: há muitas e diversas formas de autismo que podem variar desde uma perturbação profunda (autismo clássico ou síndrome de Kanner) até ao autismo de elevado funcionamento (também designado de síndrome de Asperger).
Em comum, dificuldades na comunicação e na interacção social e padrões de comportamento repetitivos ou ritualísticos. Mas o grau de afectação nas várias áreas é muito diverso. Há autistas com grave défice cognitivo, que não têm qualquer grau de autonomia, e há outros que, à excepção de um ou outro traço considerado mais excêntrico, são perfeitamente funcionais.
"Há muitos que trabalham, em todo o tipo de profissões, alguns são professores universitários", explica Miguel Palha, pediatra do Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças e especialista nesta problemática. Os portadores de Asperger, que são detectados e estimulados precocemente, melhoram consideravelmente à medida que entram na juventude e idade adulta. Persistem, porém, alguns comportamentos disfuncionais, como a fixação nalguns assuntos, a rigidez e repetição das regras e dos hábitos ou a tendência para o isolamento social.
Um autista, por definição, vive no seu mundo e não procura o outro. Uma incapacidade que pode decorrer de alterações bioquímicas verificadas durante o período fetal, explica Edgar Pereira, psicólogo e professor da Universidade Lusófona. Não se sabe bem se por causas genéticas, virais ou químicas, a verdade é que o cérebro de um autista não funciona nos mesmos moldes do que os das outras pessoas.
Quem nasce autista, morre autista. O que não significa que não haja nada a fazer. O tratamento adequado pode fazer a diferença entre uma vida de dependência ou de relativa funcionalidade. E pode, acima de tudo, fazer uma grande diferença para as famílias que têm de cuidar destes doentes.
Os apoios são insuficientes e caros - só em terapias particulares, há famílias a gastar 700 a mil euros por mês, sem contar com as restantes despesas. O pior é quando tudo é "um falhanço absoluto", como conta Francisco Calheiros, pai de Henrique, um menino autista de 13 anos, que já passou por escolas públicas e terapias particulares. Mais do que os fracos progressos, este pai revolta-se contra as nódoas negras que o filho regularmente apresentava quando chegava da escola e da redução do número de professores de ensino especial.
No último ano lectivo, foram apoiados 500 alunos com perturbações do espectro do autismo, em 93 unidades de ensino estruturado com 187 docentes de ensino especial, de acordo com o Ministério da Educação. Embora a tendência seja para integrar mais crianças nessas unidade, a verdade é que muitos continuam sem apoio. Entre os 60 utentes da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) do Norte, nenhum frequenta essas estruturas.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
O Autismo
O autismo resulta de uma perturbação no desenvolvimento do Sistema Nervoso, de início anterior ao nascimento, que afecta o funcionamento cerebral em diferentes áreas. A capacidade de interacção social e a capacidade de comunicação são algumas das funções mais afectadas. As pessoas com autismo têm, por isso, grande dificuldade, ou mesmo incapacidade, de comunicar, tanto de forma verbal como não verbal. Muitos autistas não têm mesmo linguagem verbal. Noutros casos o uso que fazem da linguagem é muito limitado e desadequado. No que respeita à comunicação não verbal, há uma marcada incapacidade na sua utilização ou, pelo menos, uma grande desadequação na expressão gestual e mímica facial. Paralelamente, as pessoas com autismo têm uma grande dificuldade na interpretação da linguagem, que passa, nomeadamente, pela dificuldade na compreensão da entoação da voz e da mímica dos outros com quem se relacionam. O isolamento social é, a par das dificuldades de linguagem, outra das características nucleares do autismo. O termo autismo refere-se a isto mesmo, derivado da palavra grega autos (próprio) traduz a ideia de “estar mergulhado em si próprio”. O isolamento social do autista pode ser extremo, de tal forma que este pode parecer não ver, ignorando ou afastando qualquer coisa que lhe chegue do exterior. As crianças autistas podem não reagir de forma a anteciparem os estímulos (v.g. não se defendem da mão que simula que lhes vai bater) e preferem brincar sozinhas. Outra particularidade comum no autismo é a insistência na repetição. Assim, as pessoas com autismo tendem a seguir rotinas, por vezes de forma extremamente rígida, ficando muito perturbadas quando qualquer acontecimento impede ou modifica essas rotinas. O balanceio do corpo, os gestos e sons repetitivos são comuns, sendo mais frequentes em situações de maior ansiedade. Finalmente, é de referir que a maioria dos autistas tem também deficiência mental, com níveis significativamente baixos de funcionamento intelectual e adaptativo. Cerca de 30% dos autistas pode sofrer ainda de epilepsia.
Sendo o autismo resultante de uma perturbação do desenvolvimento embrionário, pode afirmar-se que se nasce autista. Ainda assim, como não é possível o diagnóstico pré-natal do autismo, nem este se manifesta por quaisquer traços físicos, o seu diagnóstico não é, em princípio, possível ser feito nas primeiras semanas ou meses de vida. A perturbação da interacção social do bebé é geralmente o primeiro sinal que alerta para a hipótese de diagnóstico de autismo o qual, nos casos mais graves, pode chegar a ser identificado antes do ano de idade. Calcula-se que em Portugal, à semelhança do que acontece noutros países, existam cerca de 5 casos de autismo por cada 10000 habitantes, com uma prevalência nos rapazes cerca de quatro vezes superior à das raparigas.
A causa ou causas específicas do autismo são ainda desconhecidas. Sabe-se, contudo que tem uma base genética importante. Sobre esta determinante genética seriam acumulados factores adicionais (do meio interno e/ou da envolvente) que eventualmente poderiam levar ao autismo e que seguramente contribuem para a sua expressão. Está, por outro lado, bem demonstrado que factores como a relação mãe / bebé ou a educação, não determinam em nada o aparecimento do autismo.
O autismo é uma condição crónica e irreversível. Não há cura para o autismo nem medicação específica que modifique de forma consistente as perturbações básicas da comunicação ou da interacção social que o caracterizam. Não é mesmo de esperar que nos tempos mais próximos seja possível encontrar a cura ou prevenir de forma eficaz o autismo. Trata-se de uma perturbação global do funcionamento cerebral, que afecta numerosos sistemas e funções, eventualmente com múltiplas causas e que se expressa de formas bastante diversas. A descoberta de um denominador comum (se é que ele existe…), que se pudesse tratar ou prevenir é, por isso mesmo, muito difícil. Há contudo medicamentos que podem aliviar sintomas e alterações comportamentais associadas ao autismo. Da mesma forma pode verificar-se melhoria (ou agravamento) da expressão comportamental, em função do meio e de estratégias de reabilitação. A quase totalidade dos autistas será sempre incapaz de gerir de forma autónoma a sua pessoa e bens, pelo que necessitam, durante toda a vida, de estruturas sociais cuidadoras. Estas estruturas devem atender à natureza única de cada pessoa com autismo, criando condições que permitam a expressão máxima das capacidades individuais, ao mesmo tempo que a cuidam nas áreas de incapacidade.
Carlos Filipe
(Psiquiatra)
Telf.: 214858240
carlos.filipe@cadin.net
Aqui vai mais uma abordagem.
Penso que ainda há muito a fazer em termos de pesquisa.
É urgente encontrar respostas.
É urgente encontrar as causas.
É urgente para todas as crianças com autismo terem uma resposta adquada e atempada.
Sendo o autismo resultante de uma perturbação do desenvolvimento embrionário, pode afirmar-se que se nasce autista. Ainda assim, como não é possível o diagnóstico pré-natal do autismo, nem este se manifesta por quaisquer traços físicos, o seu diagnóstico não é, em princípio, possível ser feito nas primeiras semanas ou meses de vida. A perturbação da interacção social do bebé é geralmente o primeiro sinal que alerta para a hipótese de diagnóstico de autismo o qual, nos casos mais graves, pode chegar a ser identificado antes do ano de idade. Calcula-se que em Portugal, à semelhança do que acontece noutros países, existam cerca de 5 casos de autismo por cada 10000 habitantes, com uma prevalência nos rapazes cerca de quatro vezes superior à das raparigas.
A causa ou causas específicas do autismo são ainda desconhecidas. Sabe-se, contudo que tem uma base genética importante. Sobre esta determinante genética seriam acumulados factores adicionais (do meio interno e/ou da envolvente) que eventualmente poderiam levar ao autismo e que seguramente contribuem para a sua expressão. Está, por outro lado, bem demonstrado que factores como a relação mãe / bebé ou a educação, não determinam em nada o aparecimento do autismo.
O autismo é uma condição crónica e irreversível. Não há cura para o autismo nem medicação específica que modifique de forma consistente as perturbações básicas da comunicação ou da interacção social que o caracterizam. Não é mesmo de esperar que nos tempos mais próximos seja possível encontrar a cura ou prevenir de forma eficaz o autismo. Trata-se de uma perturbação global do funcionamento cerebral, que afecta numerosos sistemas e funções, eventualmente com múltiplas causas e que se expressa de formas bastante diversas. A descoberta de um denominador comum (se é que ele existe…), que se pudesse tratar ou prevenir é, por isso mesmo, muito difícil. Há contudo medicamentos que podem aliviar sintomas e alterações comportamentais associadas ao autismo. Da mesma forma pode verificar-se melhoria (ou agravamento) da expressão comportamental, em função do meio e de estratégias de reabilitação. A quase totalidade dos autistas será sempre incapaz de gerir de forma autónoma a sua pessoa e bens, pelo que necessitam, durante toda a vida, de estruturas sociais cuidadoras. Estas estruturas devem atender à natureza única de cada pessoa com autismo, criando condições que permitam a expressão máxima das capacidades individuais, ao mesmo tempo que a cuidam nas áreas de incapacidade.
Carlos Filipe
(Psiquiatra)
Telf.: 214858240
carlos.filipe@cadin.net
Aqui vai mais uma abordagem.
Penso que ainda há muito a fazer em termos de pesquisa.
É urgente encontrar respostas.
É urgente encontrar as causas.
É urgente para todas as crianças com autismo terem uma resposta adquada e atempada.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Como se Dirigir a uma pessoa com Autismo
Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008
COMO SE DIRIGIR A UMA PESSOA COM AUTISMO
As pessoas com autismo são aparentemente normais e geralmente falam de forma correcta e compreensível. O problema é que elas elaboram a informação recebida de forma diferente e por isto, às vezes, não conseguem compreender completamente o que acontece ou lhe é dito. A sua aparente independência pode encobrir angustia, isolamento social e incapacidade de relacionamento social.
Por isso:
Não toque numa pessoa com autismo se não for necessário.
Explique o que vai fazer e comprove que foi compreendido antes de começar a fazê-lo.
Faça perguntas simples e claras.
Evite ironia, sarcasmo e não diga nada em sentido figurado nem faça comparações.
Dê mais tempo para pensar e compreender às pessoas com autismo.
Leve em consideração que uma pessoa com autismo que não o olha nos olhos não faz isso por ser mal-educado ou descortês.
É importante lembrar que a pessoa com autismo:
Pode ter um comportamento estranho ou inadequado.
Pode parecer distraído ou não reagir para nada.
Evita olhar nos olhos se estiver nervosa ou se sentir pressionada.
Pode reagir de forma desapropriada
Pode parecer que não trata os outros com tato.
Pode aparentar ser porfiado, cabeça dura ou estar bravo.
Pode aparentar ser muito meigo.
Geralmente não gosta de contacto físico.
Acha difícil entender a linguagem corporal.
Às vezes entende metáforas e provérbios de forma literal.
Pode usar uma linguagem formal, antiga / ultrapassada ou distinta.
Gosta de ter rotinas e regras fixas.
Tem “manias” ou interesses específicos.
Tem dificuldade em se pôr no lugar dos outros.
Informação importante para a polícia, assistentes sociais e outros que tenham que tratar de uma pessoa com autismo sem conhecê-la
Uma pessoa com autismo é sempre vulnerável seja ela vítima, testemunha ou suspeita. Problemas de comunicação, na interacção ou interpretação podem levá-lo a situações de conflito e angustiá-lo se o seu comportamento não é bem entendido. Consulte um especialista para que a pessoa com autismo seja bem atendida. Na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (ICD10) da Organização Mundial da Saúde, o autismo, o distúrbio de Asperger e o PDD-NOS, são classificados como um distúrbio mental e de conduta. Se você acha que o seu cliente/testemunha/preso tem autismo, peça um relatório psiquiátrico para procedimento judicial.Informação sobre autismo: www.autisme.nl ou www.landelijknetwerkautisme.nl
Postado por Mário Relvas às Sexta-feira, Dezembro 12, 2008
Marcadores: Autismo, Indicações sobre como lidar com um autista, Informaçções para a polícia sobre o autismo, relação e comunicação com autistas
4 comentários:
COMO SE DIRIGIR A UMA PESSOA COM AUTISMO
As pessoas com autismo são aparentemente normais e geralmente falam de forma correcta e compreensível. O problema é que elas elaboram a informação recebida de forma diferente e por isto, às vezes, não conseguem compreender completamente o que acontece ou lhe é dito. A sua aparente independência pode encobrir angustia, isolamento social e incapacidade de relacionamento social.
Por isso:
Não toque numa pessoa com autismo se não for necessário.
Explique o que vai fazer e comprove que foi compreendido antes de começar a fazê-lo.
Faça perguntas simples e claras.
Evite ironia, sarcasmo e não diga nada em sentido figurado nem faça comparações.
Dê mais tempo para pensar e compreender às pessoas com autismo.
Leve em consideração que uma pessoa com autismo que não o olha nos olhos não faz isso por ser mal-educado ou descortês.
É importante lembrar que a pessoa com autismo:
Pode ter um comportamento estranho ou inadequado.
Pode parecer distraído ou não reagir para nada.
Evita olhar nos olhos se estiver nervosa ou se sentir pressionada.
Pode reagir de forma desapropriada
Pode parecer que não trata os outros com tato.
Pode aparentar ser porfiado, cabeça dura ou estar bravo.
Pode aparentar ser muito meigo.
Geralmente não gosta de contacto físico.
Acha difícil entender a linguagem corporal.
Às vezes entende metáforas e provérbios de forma literal.
Pode usar uma linguagem formal, antiga / ultrapassada ou distinta.
Gosta de ter rotinas e regras fixas.
Tem “manias” ou interesses específicos.
Tem dificuldade em se pôr no lugar dos outros.
Informação importante para a polícia, assistentes sociais e outros que tenham que tratar de uma pessoa com autismo sem conhecê-la
Uma pessoa com autismo é sempre vulnerável seja ela vítima, testemunha ou suspeita. Problemas de comunicação, na interacção ou interpretação podem levá-lo a situações de conflito e angustiá-lo se o seu comportamento não é bem entendido. Consulte um especialista para que a pessoa com autismo seja bem atendida. Na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (ICD10) da Organização Mundial da Saúde, o autismo, o distúrbio de Asperger e o PDD-NOS, são classificados como um distúrbio mental e de conduta. Se você acha que o seu cliente/testemunha/preso tem autismo, peça um relatório psiquiátrico para procedimento judicial.Informação sobre autismo: www.autisme.nl ou www.landelijknetwerkautisme.nl
Postado por Mário Relvas às Sexta-feira, Dezembro 12, 2008
Marcadores: Autismo, Indicações sobre como lidar com um autista, Informaçções para a polícia sobre o autismo, relação e comunicação com autistas
4 comentários:
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Autismo: sinais para agir rápido
Autismo: sinais para agir rápido
Um filho autista não pode ser isolado. Apoiar desde cedo pode desenvolver capacidades, apesar da perturbação não ter cura.
Fechados às emoções
Sem cura ou medicação específica, o autismo é uma das perturbações neurológicas mais complicadas. Só o apoio psicológico pode reabilitar algumas capacidades, como o convívio social e a autonomia nas tarefas básicas do dia-a-dia. Esta perturbação não pressupõe uma deficiência mental e muitos doentes têm um coeficiente de inteligência elevado.
Não se conhecem as causas, mas sabe-se que o autismo nasce com a criança. Em muitos casos, torna-se evidente antes dos 3 anos, se houver atraso na fala ou dificuldade em interagir com outras crianças. Os factores que podem estar relacionados são vários, desde a síndrome do X Frágil, uma anomalia caracterizada por atraso mental, face alongada e orelhas grandes ou salientes, à fenilcetonúria, incapacidade de metabolizar a fenilalanina. Uma infecção viral da mãe durante a gestação, como a rubéola, ou anomalias em certas funções cerebrais são outros factores ambientais que podem intervir.
Por vezes, o problema só é detectado quando a criança entra na escola, ao não interagir normalmente com os colegas. Até aos 5 anos, o comportamento autista acentua-se: não fala ou utiliza a “ecolália”, ou seja, repete palavras e frases. A linguagem pode surgir aos 5 e até aos 9 anos, mas não é utilizada para conversar e comunicar com sentido. Sem conseguir manifestar as suas necessidades, gritam ou arrancam dos outros o que querem.
No mundo das pessoas com autismo, tudo obedece a regras precisas e hábitos, dos horários à disposição do quarto. Podem também ter tiques e movimentos repetitivos, como rodar mãos e dedos. No casos mais graves, o toque de telefone ou de um tecido na pele podem ser insuportáveis.
Os autistas são sensíveis a certos sons, texturas, sabores e cheiros, mas podem não sentir dor.
Atenção aos sintomas
Até aos 15 meses:
não olha quando falam para ele;
não procura os adultos para o agarrarem;
demonstra desinteresse em partilhar objectos e actividades;
não age por imitação, como sorrir em resposta;
não acena “adeus”;
parece não ouvir quando o chamam;
não responde a pedidos verbais simples;
ausência das primeiras palavras, como “mamã” e “papá”.
Até aos 18 meses:
não aponta para partes do corpo;
continua sem dizer palavras;
não imagina, nem brinca ao “faz-de-conta”;
não aponta para objectos;
sem resposta quando lhe apontam objectos.
Até aos 2 anos:
ainda não utiliza frases com duas palavras;
não imita as actividades caseiras;
mostra desinteresse nas outras crianças.
Estimular capacidades
Identificar cedo o autismo permite planear a educação da criança e ajudar a família a estimular o seu potencial. O médico de família ou pediatra ajudam a descodificar preocupações de pais ou educadores em relação aos sintomas. Aqueles podem reencaminhar para consultas de desenvolvimento ou de pedopsiquiatria nos hospitais e alguns centros de saúde.
As terapias utilizadas procuram que a criança melhore a sua comunicação e as relações com os outros. As pessoas com autismo aprendem melhor por visualização e apreciam rotinas. É frequente ensinar-se o uso da comunicação por figuras, por exemplo. Planear e dividir as tarefas em sequência facilita a adaptação aos ambientes novos.
Entre os 2 e 4 anos, a intervenção tem melhores resultados na inteligência e linguagem e consegue prever problemas de saúde associados, como os do sono, alimentares e epilepsia.
Nos casos mais ligeiros, a escola é um estímulo importante, desde que o autista seja acompanhado com técnicos especializados. Para perturbações mais profundas, existem residências, onde se ensina um ofício, como culinária, tecelagem, jardinagem ou até música.
http://www.deco.proteste.pt/saude/autismo-sinais-para-agir-rapido-s526981.htm
Um filho autista não pode ser isolado. Apoiar desde cedo pode desenvolver capacidades, apesar da perturbação não ter cura.
Fechados às emoções
Sem cura ou medicação específica, o autismo é uma das perturbações neurológicas mais complicadas. Só o apoio psicológico pode reabilitar algumas capacidades, como o convívio social e a autonomia nas tarefas básicas do dia-a-dia. Esta perturbação não pressupõe uma deficiência mental e muitos doentes têm um coeficiente de inteligência elevado.
Não se conhecem as causas, mas sabe-se que o autismo nasce com a criança. Em muitos casos, torna-se evidente antes dos 3 anos, se houver atraso na fala ou dificuldade em interagir com outras crianças. Os factores que podem estar relacionados são vários, desde a síndrome do X Frágil, uma anomalia caracterizada por atraso mental, face alongada e orelhas grandes ou salientes, à fenilcetonúria, incapacidade de metabolizar a fenilalanina. Uma infecção viral da mãe durante a gestação, como a rubéola, ou anomalias em certas funções cerebrais são outros factores ambientais que podem intervir.
Por vezes, o problema só é detectado quando a criança entra na escola, ao não interagir normalmente com os colegas. Até aos 5 anos, o comportamento autista acentua-se: não fala ou utiliza a “ecolália”, ou seja, repete palavras e frases. A linguagem pode surgir aos 5 e até aos 9 anos, mas não é utilizada para conversar e comunicar com sentido. Sem conseguir manifestar as suas necessidades, gritam ou arrancam dos outros o que querem.
No mundo das pessoas com autismo, tudo obedece a regras precisas e hábitos, dos horários à disposição do quarto. Podem também ter tiques e movimentos repetitivos, como rodar mãos e dedos. No casos mais graves, o toque de telefone ou de um tecido na pele podem ser insuportáveis.
Os autistas são sensíveis a certos sons, texturas, sabores e cheiros, mas podem não sentir dor.
Atenção aos sintomas
Até aos 15 meses:
não olha quando falam para ele;
não procura os adultos para o agarrarem;
demonstra desinteresse em partilhar objectos e actividades;
não age por imitação, como sorrir em resposta;
não acena “adeus”;
parece não ouvir quando o chamam;
não responde a pedidos verbais simples;
ausência das primeiras palavras, como “mamã” e “papá”.
Até aos 18 meses:
não aponta para partes do corpo;
continua sem dizer palavras;
não imagina, nem brinca ao “faz-de-conta”;
não aponta para objectos;
sem resposta quando lhe apontam objectos.
Até aos 2 anos:
ainda não utiliza frases com duas palavras;
não imita as actividades caseiras;
mostra desinteresse nas outras crianças.
Estimular capacidades
Identificar cedo o autismo permite planear a educação da criança e ajudar a família a estimular o seu potencial. O médico de família ou pediatra ajudam a descodificar preocupações de pais ou educadores em relação aos sintomas. Aqueles podem reencaminhar para consultas de desenvolvimento ou de pedopsiquiatria nos hospitais e alguns centros de saúde.
As terapias utilizadas procuram que a criança melhore a sua comunicação e as relações com os outros. As pessoas com autismo aprendem melhor por visualização e apreciam rotinas. É frequente ensinar-se o uso da comunicação por figuras, por exemplo. Planear e dividir as tarefas em sequência facilita a adaptação aos ambientes novos.
Entre os 2 e 4 anos, a intervenção tem melhores resultados na inteligência e linguagem e consegue prever problemas de saúde associados, como os do sono, alimentares e epilepsia.
Nos casos mais ligeiros, a escola é um estímulo importante, desde que o autista seja acompanhado com técnicos especializados. Para perturbações mais profundas, existem residências, onde se ensina um ofício, como culinária, tecelagem, jardinagem ou até música.
http://www.deco.proteste.pt/saude/autismo-sinais-para-agir-rapido-s526981.htm
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